ANTI-INFLAMATÓRIOS: MOCINHOS OU BANDIDOS?

Os antiinflamatórios não hormonais, como também são conhecidos, foram drogas desenvolvidas pela indústria farmacêutica nos anos 70 e 80 para substituir em parte o uso de Cortisonas e Butazolidinas, que apresentavam efeitos colaterais importantes, como retenção líquida, aumento da pressão arterial, face de lua cheia, alteração na textura da pele e lesões renais, hepáticas e cardíacas, entre outros. Apesar disso, eram considerados os mocinhos da época.

Depois vieram as Indometacinas, o Naproxeno, os Diclofenacos, os Piroxicans e uma série de outras substâncias que proporcionavam alívio da dor sem apresentar tantos efeitos indesejáveis. Foram aplaudidos pelos médicos e idolatrados pelos pacientes, que por um certo período se viram livres dos indesejáveis e desagradáveis efeitos dos antiinflamatórios hormonais. Transformaram-se em uma verdadeira troupe de super-heróis e passaram a ser recomendados por médicos, farmacêuticos, balconistas, vizinhos, parentes, enfim, uma legião de "especialistas" em doenças e remédios. Seu uso se popularizou a tal ponto que alguns hospitais públicos chegaram a confeccionar carimbos para agilizar sua prescrição. Caiu? Tome Diclofenaco. Dor de dente? Dê-lhe Diclofenaco. Torceu? Quebrou? Luxou? Era uma panacéia.

Claro que não tardaram a aparecer os primeiros problemas. Em uma época em que não se realizava rotineiramente a endoscopia digestiva, pessoas no mundo todo passaram a apresentar gastrites, úlceras e hemorragias. Algumas morreram e outras adquiriram doenças transmitidas pelo sangue das transfusões que se fizeram necessárias para repor as perdas hemorrágicas. Os mais atingidos por essas complicações foram os pacientes que fizeram uso continuado dessas drogas. Em pouco tempo esses antigos super-heróis passaram a ser vistos como elementos suspeitos. A indústria esperneou o quanto pode, mas os pesquisadores, através de trabalhos científicos, comprovaram os efeitos deletérios desses fármacos sobre o organismo humano. Assim, lá pelo final dos anos 90 os ex-heróis passaram a ser considerados os bandidos da vez.

Novas drogas, mais seletivas no seu mecanismo de ação, pois inibiam as chamadas ciclooxigenases ou simplesmente Cox, passaram a figurar como a solução para os efeitos nocivos sobre o sistema digestivo de suas antecessoras. Só que eram mais caras, bem mais caras. Talvez por esse fator não tenham tido muita aceitação no Brasil.

O que fazer? Era preciso criar novos heróis! E assim nasceram os inibidores seletivos da Cox 2, altamente difundidos pela mídia especializada. Marketing pesado em cima dos formadores de opinião e responsáveis pela prescrição, ou seja, os médicos.

"Dr, temos um novo medicamento. Fantástico! não causa problemas no estômago, tomado só uma vez ao dia, potência superior, etc., etc. Trago aqui um trabalho científico que mostra a boa tolerabilidade para uso crônico!"

Este foi o discurso de lançamento. O que se viu alguns anos depois foi uma retirada estratégica sob grande estardalhaço da imprensa porque os pacientes continuavam a ter problemas, agora não mais gástricos, mas sim cardíacos e circulatórios.

Apesar disso, algumas pessoas continuam se automedicando e usando algumas dessas drogas de forma contínua e sem controle médico. Por que o fazem? Muitas porque sofrem de dores osteo-articulares que poderiam ser equacionadas com uma boa avaliação postural, com o uso de um colchão adequado, um tratamento fisioterápico, aprendendo a sentar e deitar de forma correta, a compensar possíveis desigualdades de membros inferiores, enfim, problemas que deveriam ser avaliados por um médico e não por um vizinho ou uma comadre.

Quando se trata de dores no quadril, então, não existe outro caminho que não uma avaliação acurada realizada por um especialista nessa delicada região do corpo humano. Delicada porque, além de precisar suportar o peso do corpo é responsável pela locomoção dos indivíduos e qualquer lesão que não seja perfeitamente diagnosticada e corretamente tratada poderá se agravar, provocando, além da dor, o comprometimento dos próprios movimentos da articulação.

Um especialista em quadril poderá até prescrever algum tipo de analgésico ou antiinflamatório, mas sempre como coadjuvante e nunca como componente principal do tratamento. Neste site é possível conhecer as principais enfermidades que acometem o quadril e as diferentes opções terapêuticas para cada uma delas. Certamente, entupir-se de antiinflamatórios por conta própria não é a conduta mais adequada para quem apresenta alguma enfermidade na articulação coxo-femoral. Além de não resolver o problema, em muito pouco tempo o doente terá a desagradável surpresa de constatar que agregou uma nova patologia à enfermidade original.

Definitivamente, o uso de antiinflamatórios por conta própria através da automedicação não é uma atitude nem inteligente e muito menos recomendável.

Ouça a entrevista do Dr. Ricon Jr. para a CBN sobre o uso de anti-inflamatórios
(16 minutos em MP3)
 
     
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